Estamos diante de uma perigosa postura da sociedade em geral, independentemente de qualquer divisão ou padrão social, que a cada vez mais se desliga das precauções recomendadas pela comunidade científica e pela classe médica – em especial aquelas que vêm dos profissionais mais bem formados e responsáveis, diante do quadro de notório agravamento da contaminação da Covid-19 e suas consequências.  

Os hospitais estão abarrotados de pacientes; os CTIs, ocupados como nunca aconteceu durante essa pandemia. Não há vacinas nem mesmo para atender um programa letárgico e irresponsável, comandado por um general incapaz e que não sabe sequer onde está o próprio nariz. Milhares de pessoas se contaminam e morrem a cada dia, enquanto os que poderiam tomar alguma providência prática e de melhor eficácia insistem em receitar fórmulas, medicamentos e desprezar cuidados que comprovadamente abrandariam o quadro, que poderá nos projetar como vítimas de um colapso de irreparáveis consequências em todo o país. 

Boletins policiais registram todos os dias a insistente e estúpida desobediência, especialmente da juventude, aglomerada em festinhas com indiscriminado uso de cigarros, bebidas e, em muitas vezes, drogas, absolutamente alheia às repercussões de seu descaso. Por não serem tão afetados pela doença, em função de sua idade e resistência, desprezam egoisticamente a contaminação que podem produzir em suas casas, no seu trabalho, nas suas rodas. Em primeira análise, contribuem para a morte de muitos. Nesse último fim de semana, 17 estabelecimentos foram interditados somente em Belo Horizonte. Desde o início da pandemia, a Prefeitura realizou 360 interdições de locais que não cumpriram os protocolos sanitários de prevenção ao Covid-19. Um comportamento egoísta, como dissemos, e irresponsável ao extremo, digno de cadeia para os que, com seu desleixo, para tal contribuem. 

Não há mais o que esperarmos senão o agravamento de um quadro trágico, já muito denunciado e que agora reuniu os secretários de Saúde das nossas 27 Unidades Federativas para buscarem, juntos, a adoção de um toque nacional de recolher, das 20h às 6h, suspensão de todas as atividades, sobretudo nas regiões onde haja constatada a ocupação de mais de 85% das acomodações destinadas a cuidados médicos. Mais do que isso, é necessária uma legislação de urgência para se obrigar ao cumprimento das recomendações que forem importantes de seu respeito, com multas e prisão para sua desobediência. Se a economia está mal e todos sentimos isso, vai piorar se não houver extremo e intransigente rigor na obediência aos protocolos sanitários. Se for necessário, que se consiga esse comportamento da sociedade, com multa e prisão.

O contrário é a morte de milhares de seres humanos. Já se foram, brasileiros, mais de 250 mil.

 

 

Fonte: Artigo publicado pelo jornal O Tempo, pág. 2, em 02.março.2021