Desde sua posse, em 1º de janeiro, e, portanto, decorridos mais de 70 dias, o governador Romeu Zema ainda não conseguiu apresentar aos mineiros sequer um rascunho do projeto de governo que deveria orientar suas ações nos próximos quatro anos.

Não há fato que lhe tenha sido surpresa, convenhamos, e cuja revelação, depois de sua chegada ao comando do Estado, tenha frustrado a execução dos compromissos alardeados em campanha e depois de eleito. Ações esperadas para resgatar um Estado marcado pela incompetência, pela inoperância, pela falta de planejamento, pelo desmando e por uma sorte de atos sobre os quais a Justiça ainda há de falar para, um dia, responsabilizar aqueles que definitivamente mergulharam Minas Gerais num dos piores momentos de sua história política, administrativa e financeira. Um quadro indesejável, que requeria um gestor criativo, com propostas concretas e a seriedade necessária para fazer o Estado andar. Foi nesse projeto que os mineiros votaram.

Porém, em 70 dias nada há de novo. Ainda como candidato, o governador Romeu Zema já sabia da precariedade da situação de caixa do Estado, da folha de pagamento dos servidores ativos e aposentados, quitada com atraso e parceladamente. Sabia dos créditos dos municípios que vinham se acumulando, agravados por uma criminosa e crescente apropriação, pelo governo Pimentel e seguida pelo mesmo Romeu Zema, dos recursos da cota-parte dos municípios, um direito constitucional e há meses sonegado; sabia também da agenda de compromissos genuínos e intransferíveis do Estado, hoje precariamente respondidos, e quando o são.

Nada é novo, senão o partido do governador e de alguns de seus escudeiros, além de miudezas estampadas com esforço por um marketing caipira, que reduziu o governador de Minas à pequena dimensão de quem se ocupa, como um feito extraordinário, de não colocar seu retrato na parede das repartições; de alugar casa para morar na Pampulha, dispensando o Palácio das Mangabeiras com justificativas medíocres; de não voar no avião do Estado para não gastar querosene; enfim, um ajuntamento de atitudes tomadas a palito, longe do que um Estado, com a importância econômica e política de Minas, requer de forma inadiável.

Na cadeira de governador do Estado de Minas já se sentaram figuras que os mineiros querem esquecer. Corruptos, ladrões, bandidos, larápios, em variados tipos de delinquência; nela estiveram também idiotas, incapazes, estúpidos, despreparados, figuras medíocres, que expressam outra forma também lesiva de ocupar-se da confiança do povo mineiro; prometer muito e não entregar nada é também uma asquerosa espécie de fraude.

Neste momento, Minas requer uma voz que renove com grandeza o sentimento que os mineiros já tiveram quando fomos governados por nomes que marcaram nossa história e ainda nos dão orgulho.

E esta voz ainda não está presente.

 

Fonte: Artigo publicado no jornal O Tempo, pág 2, em 12.março.2019