22 de janeiro de 2019

ESTADO OMISSO

Várias cidades do Norte de Minas, na sofrida região do semiárido mineiro

Por Luiz Tito

Publicado as 08/05/2018 06:09:57

Várias cidades do Norte de Minas, na sofrida região do semiárido mineiro, estão incomodadas com o ativismo de movimentos ditos sociais, que pretendem invadir fazendas, em especial aquelas que estão às margens de rios. O maior foco desses movimentos são municípios que margeiam o rio São Francisco, em nome da equivocada alegação de que as margens dos rios são propriedade da Marinha. Junto, estão associadas organizações que se apresentam como defensores da demarcação de terras, tanto de quilombolas como também de indígenas. Na região não há demandas para assentamentos de grupos indígenas, mas, como se trata de movimentos incentivados por meio de polpudas verbas internacionais, aflora-se tudo que pode ser mobilizado para se construírem “direitos”. E assim está montada a desordem, quase sempre com a violência dos que não têm terra nem lei.

região de Jaíba, há mais de 40 anos notabilizada por sua importância na fruticultura, é responsável pelo fornecimento em alta escala de espécies comercializadas no Brasil e no exterior; é altamente empregadora e também produtora, auxiliada pelo emprego da irrigação e pela utilização de tecnologias, muitas delas pioneiras no mundo. Vizinha de Jaíba, a cidade de Capitão Enéas, por exemplo, sofreu nos últimos tempos seguidos ataques de grupos de sem-terra e quilombolas, estes últimos, invasores que se dizem titulares de direitos cujo reconhecimento, ou não, não se dá em função da letargia de nosso Judiciário. Enquanto adormecem nas varas agrárias tais processos, esses grupos, com todas as formas de violência inclusive contra famílias, invadem e destroem plantações, maquinários, instalações, estudos e pesquisas, porque não têm qualquer compromisso com a lei, com a produção e com o respeito ao direito de propriedade de quem nessas terras está, comprovadamente, há décadas, por reconhecida e documentada transição de domínios entre suas famílias.

Tais absurdos são de amplo conhecimento das autoridades, mas há, em Minas Gerais, orientação do governo no sentido de que não se podem reprimir movimentos sociais. Onde são movimentos sociais hordas de vagabundos, que se valem dessa grotesca e irresponsável proteção para se fixarem em barracas, à espera de cesta básica e recursos apenas suficientes para ficarem à toa, sem produzir coisa alguma a não ser doenças, vícios e carências. Não importa a inspiração, a natureza de qualquer desses movimentos, tampouco como agem, mas a ordem é clara: não se reprimem movimentos sociais. Que movimentos são esses que engordam apenas o interesse e o poder de seus mandantes?

Essa determinação está a cada dia se tornando um quadro mais perigoso. Lutando contra as dificuldades de clima, contra uma taxação tributária que é a maior e, por isso, mais desestimulante entre as aplicadas pelos demais Estados aos produtos agropecuários, contra as dificuldades de crédito e, sobretudo, penalizados pela desassistência de governos omissos e medíocres, os produtores rurais já começam a se aglutinar para resistir e responder no limite e dimensão do que vem sendo praticado pelos invasores. A omissão e o descaso dos governos, federal e estadual, no controle da situação que se está criando nessa região do Norte de Minas e do Mucuri, poderão ter o custo de vidas e revelarão a irresponsabilidade política como vêm sendo tratadas essas relações.

Não podemos mais apenas assistir a essa perigosa omissão.

(ARTIGO PUBLICADO PELO JORNAL O TEMPO, PÁG. 2, EM 08/MAIO/2018)


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