11 de dezembro de 2018

A responsabilidade do voto

A responsabilidade do voto

Por Redação Bem Minas

Publicado as 27/09/2018 13:39:43

O saudoso deputado Ulysses Guimarães, numa avaliação que em certa ocasião fez sobre a Câmara dos Deputados, que integrou e presidiu, disse: “A Câmara atual é pior do que a anterior, mas certamente melhor do que a próxima que virá”. Ulysses tinha razão, como demonstram as diversas operações produzidas pela Polícia Federal, pelo Ministério Público e pelo restante do Judiciário. Centenas de inquéritos viraram processos, com muitos de seus réus, deputados e senadores, presos ou aguardando o momento para o serem.

Além dessa triste marca, uma avaliação das bancadas das Câmaras municipais, das Assembleias legislativas, da Câmara dos Deputados e do Senado Federal certifica o que previra Ulysses. Mas onde está a culpa por essa degeneração tão óbvia da qualidade de nossas representações, no Legislativo especialmente? Mesmo com seu tempo reduzido, com imposições legais mais rígidas na concessão de apoios financeiros às campanhas, uma Justiça Eleitoral mais atenta e mais rápida em suas ações, além da eficiência da imprensa em todo o país de noticiar investigações, processos e condenaç& otilde;es pelo Judiciário, o que ainda se vê, em grande parte dos candidatos aos cargos públicos, é uma lastimável falta de qualidade. Não constrange mais que se apresentem figuras que a Lei da Ficha Limpa só não alcançou em decorrência da sucessão de manobras processuais de que se serviram e ainda se servem para estarem soltas.

E a essa tragédia ainda se acrescentam as dificuldades de um amplo analfabetismo, seja o clássico ou o funcional, aquele que permite ao candidato votar e ser votado, mas o torna incapaz de entender sua responsabilidade constitucional. Isso duplica o perigo que será a escolha do próximo presidente da República e dos governadores. Já nos encaminhamos para um cenário perto de ser definido no primeiro turno o resultado das eleições presidenciais (em alguns Estados também há certeza de quem serão os próximos governadores), e os brasileiros estarão esperando do próximo Congresso a responsabilidade de tornar o país governável, regulando as en tregas que o Executivo fará como resposta à votação que recebeu.

O Brasil tem problemas históricos, graves e inadiáveis em todos os setores da administração pública: na educação, do ensino fundamental à universidade; na saúde, em que as populações mais pobres se humilham nas UPAs, UBSs, etc.; na segurança, pelo império do tráfico de drogas, que deforma nossos jovens e submete os cidadãos de bem a uma vida degradante e perigosa, todos os dias; em relação ao desemprego, agravado pela falta de investimento interno, por uma tributação estúpida e injustificável e pela insegurança jurídica; na falta de políticas públicas que deveriam emergir dos Legi slativos e que sempre deveriam ser destinadas ao interesse coletivo. E na incessante e generalizada corrupção.

O presidente que teremos nos próximos quatro anos não pode ser um curinga, ou um frasista, ou alguém que não tenha um projeto sério, decente e exequível para o Brasil e para os brasileiros, sem exclusão de nenhum.

(ARTIGO PUBLICADO PELO JORNAL O TEMPO, PÁG. 2, EM 25.09.2018)


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