16 de novembro de 2018

A HISTÓRIA DOLOROSA DE UM FRACASSO”

Se a divulgação das escutas telefônicas feitas pela Polícia Federal serviu para alguma coisa, no mínimo elas fizeram o país ter a dimensão do caráter de seus representantes no Executivo e no Parlamento.

Por Luiz Tito

Publicado as 30/07/2017 02:07:37

Se a divulgação das escutas telefônicas feitas pela Polícia Federal serviu para alguma coisa, no mínimo elas fizeram o país ter a dimensão do caráter de seus representantes no Executivo e no Parlamento. Que fino tratamento se dispensam, especialmente quando se veem afetados pela infidelidade de delatores, antes seus cúmplices prediletos. Raramente as mães, talvez por ser o mês de Maio, foram tão lembradas. Porque espantado ninguém fica mais. A profusão de escândalos e bandalheiras de que se tem conhecimento é estarrecedora e já anestesiou completamente a sensibilidade do brasileiro. Nunca nesse país se furtou tanto, se desviou tanto, se apropriou tanto do orçamento público como nesses tempos. Em denúncias anteriores, as empreiteiras de obras públicas comandaram a festa. Agora foi a vez dos frigoríficos da família Batista e companhia, reconhecidos sem favor algum como os homens mais ricos do Brasil e com destaque, os maiores caras-de-pau de que já se teve notícia nas cercanias do poder político e econômico. Risonhamente, falando como se estivessem num encontro de amigos, eles inundaram o noticiário nacional com revelações as mais contundentes, instalando o pânico no Executivo, no Legislativo, no Judiciário, na Minas Arena, no civil e no religioso. Sobrou pra todo mundo, com farta comprovação de fotos, vídeos, gravações, recibos de depósito, malas com chip, o que nos deixa a certeza de nossas precariedades, de nossa absoluta insegurança, política e jurídica. Um grupo empresarial tornado poderoso graças, especialmente, à sua capacidade de aliciar políticos e técnicos de governos, passeou de forma olímpica pelos bancos estatais, BNDES, Caixa e Banco do Brasil, fabricou sob medida e aprovou no Congresso leis que tornaram mais lucrativos e prósperos os seus negócios, subornou, comprou opiniões e consciências (?), concedeu empréstimos para pagar advogados de políticos que não lograram “fazer dinheiro na sua vida pública”, manejando cifras absurdas e nunca vistas. No curso de suas manobras, negociaram com o Ministério Público Federal uma robusta delação, surpreendentemente aprovada em tempo recorde pelo Ministro relator da Lava-Jato, Edson Fachin, para assim não serem mais incomodados no seu descanso. Fecharam a questão e foram para Nova Iorque, de onde já saíram, sem deixar endereço, curtindo alegremente o achincalhe, o deboche imposto às nossas instituições. Deixaram assanhados nas ruas de domingo os movimentos “Fora Temer” como se tivéssemos uma nesga de solução, uma perspectiva séria e exequível, um nome mais ou menos aceitável para assumir o comando de um país que todos os dias surpreende-se com o joguete que viramos nas mãos de aproveitadores, de bandalhos, de políticos sem compromisso e sem a dimensão de seus atos. Não temos opções, em quem confiar. Que fracasso! Valei-nos, Mário Lago. (Artigo publicado pelo jornal O TEMPO, pág. 2, em 30.Maio.2017)


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