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Minas Gerais avança na geração de energia limpa no Brasil

Segundo informações da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), a maior parte da energia elétrica gerada em Minas Gerais, correspondente a 95,7% de sua matriz energética, provém de fontes renováveis  como biomassa, energia eólica, hidrelétrica e solar.

Nos últimos anos, o estado de Minas Gerais tem se destacado como um líder nacional no avanço do uso de energias renováveis. Enquanto o mundo enfrenta desafios cada vez mais urgentes relacionados às mudanças climáticas e à transição para fontes de energia mais limpas, Minas tem se posicionado à frente nesse movimento, impulsionando a economia local e construindo um futuro mais sustentável no país. 

O estado tem focado na energia solar fotovoltaica, inova na produção de hidrogênio verde, além de avançar na produção de biometano a partir do lixo e na busca por biocombustíveis provenientes da Macaúba. Só em 2023 os investimentos no setor chegaram a R$3,9 bilhões em diversos projetos voltados à transição para a energia limpa.

Energia solar fotovoltaica

A energia solar fotovoltaica é uma forma de energia renovável que utiliza paineis solares para converter a luz do sol em eletricidade. Os paineis são compostos por células fotovoltaicas que absorvem fótons de luz solar e os convertem diretamente em corrente elétrica através do chamado “efeito fotovoltaico”. Essa eletricidade pode ser utilizada imediatamente ou armazenada em baterias para uso posterior. Esta energia é uma fonte limpa e sustentável de eletricidade e não produz emissões de gases de efeito estufa ou poluentes durante o processo de geração de energia.

Hidrogênio Verde 

O hidrogênio verde é produzido através de um processo químico no qual a água  é decomposta em seus elementos através da passagem de corrente elétrica. Durante esse processo, a água é separada em hidrogênio e oxigênio e o hidrogênio resultante é armazenado para uso como combustível limpo. Diferentemente do hidrogênio cinza, produzido a partir de gás natural, o hidrogênio verde não gera emissões de carbono durante sua produção e uso, assim é uma alternativa promissora para reduzir a dependência de combustíveis fósseis  e diminuir os efeitos  da poluição nas mudanças climáticas.

Produção de biometano a partir do lixo

A produção de biometano a partir do lixo é realizada através do processo de decomposição de matéria orgânica  presente nos resíduos sólidos  que ocorre na ausência de oxigênio. Durante essa decomposição, microrganismos decompõem a matéria orgânica, produzindo biogás, composto principalmente por metano e dióxido de carbono. Esse biogás é  purificado para remover impurezas, resultando no biometano, que é uma forma purificada e concentrada de metano. O biometano pode ser utilizado como uma fonte de energia renovável em diversas aplicações, como geração de eletricidade, aquecimento e até mesmo como combustível para veículos. Esse processo não apenas aproveita os resíduos orgânicos, reduzindo a quantidade de lixo enviada para aterros sanitários, mas também produz uma fonte de energia limpa e sustentável, contribuindo para a redução das emissões de gases de efeito estufa.

Biocombustíveis provenientes da Macaúba

Os biocombustíveis provenientes da macaúba são obtidos a partir do óleo extraído da semente da palmeira macaúba. Essa palmeira é nativa do Brasil e possui bastante potencial para produção de biocombustíveis devido ao alto teor de óleo em suas sementes, que pode chegar a até 70% de sua massa. O óleo de macaúba pode ser utilizado na produção de biodiesel, que é um combustível renovável que pode ser misturado ao diesel convencional ou utilizado puro em motores diesel. Além disso, o resíduo da extração do óleo, conhecido como torta de macaúba, pode ser utilizado como fonte de biomassa para a produção de energia térmica ou elétrica.

A energia solar fotovoltaica é a mais atrativa e em 2023 se destacou com um dos cincos setores mais promissores para investir no estado. O uso desta energia renovável ganhou força com o projeto Sol de Minas que visa promover a energia solar fotovoltaica no estado, além de incentivar a instalação de sistemas de geração de energia solar em residências, empresas, instituições e propriedades rurais. 

A produção de biometano ganhou relevância com a chegada da empresa italiana Asja que está investindo R$152 milhões para a construção de uma usina que vai utilizar o Aterro Sanitário de Sabará como fonte de energia. A usina será um projeto-piloto que pretende ser exemplo para outros estados do Brasil. 

O uso da Macaúba é novidade no estado impulsionada pela empresa Acelen que durante a COP-28 anunciou um investimento de R$ 125 milhões em um Centro de Inovação e Tecnologia para desenvolver biocombustíveis a partir da macaúba em Montes Claros, prevendo a geração de 260 empregos. 

A empresa alemã Neuman & Esser demonstrou seu compromisso ao investir R$45 milhões no estado para a fabricação de geradores de hidrogênio verde através de eletrólise e reformadores de etanol e biometano, assim como no desenvolvimento de outras tecnologias.

A estratégia de Minas em conquistar o lugar de estado com a economia mais verde do Brasil já gerou resultados internacionalmente, como o prêmio recebido durante o 8° Fórum Mundial de Investimentos, realizado pela Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD), em Abu Dhabi, no​s​ Emirados Árabes Unidos.

Além disso, o estado foi o único entre todos os países da América do Sul a participar da Cúpula de Ação Climática da ONU durante a 78ª sessão da Assembleia Geral das Nações Unidas, realizada em Nova York nos Estados Unidos. 

Segundo informações da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), a maior parte da energia elétrica gerada em Minas Gerais, correspondente a 95,7% de sua matriz energética, provém de fontes renováveis, tais como biomassa, energia eólica, hidrelétrica e solar. 

Atualmente, em todos os 853 municípios de Minas Gerais, pelo menos uma unidade de geração de energia fotovoltaica está em operação. Com cada vez mais municípios adotando tecnologias limpas e sustentáveis, Minas Gerais se destaca como um líder na busca por um futuro mais verde. 

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Lorena Cordeiro

Lorena Cordeiro

Jornalista e mestre em Comunicação pela Universidade Federal de Ouro Preto – UFOP. Repórter no Portal Bem Minas desde 2020 nas editorias Meio Ambiente, Mineração e Energias Renováveis.

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