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Empresa australiana de mineração deve investir R$ 1,35 bilhão em Poços de Caldas

O evento é o início do Projeto Colossus, que visa expandir a mineração de terras raras e elementos na região. 

Nesta quinta-feira (29), o Governo de Minas assinou um protocolo de investimentos com a empresa Viridis Mineração e Minerais para atuar em Poços de Caldas. A empresa australiana pretende investir R$1,35 bilhão para explorar a região que, segundo pesquisas, conta com grandes volumes de recursos e teores de elementos de terras raras (ETRS).

O evento, que contou com a presença do governador Romeu Zema (Novo), é o início do Projeto Colossus, que visa expandir a mineração de terras raras e elementos na região, fundamentais para a produção de componentes e equipamentos de alta tecnologia utilizados nas indústrias eletroeletrônica, aeroespacial e de geração de energia renovável.

“Vamos produzir, a princípio, carbonato de terras raras que é a base da produção. A parte metalúrgica que vai gerar toda a verticalização do processo, nós estamos em conversas com o governo federal, estadual, os laboratórios, todos estão ajudando, pois é uma tecnologia que em escala a China detém”, disse Klaus Peterson, diretor-executivo da mineradora. 

Durante uma apresentação recente destinada a investidores, a Viridis compartilhou informações detalhadas sobre o projeto Colossus,  disponíveis para acesso através deste link.

Atualmente, a empresa está nas etapas preliminares de estudos e prospecções na região, com a perspectiva de iniciar as operações da planta produtiva até 2026. Estima-se que essa iniciativa possa criar aproximadamente 120 empregos permanentes. 

Além disso, o negócio pretende valorizar o produto e aumentar o interesse de outras empresas que dependem desses elementos como matéria-prima. De acordo com análise dos investidores, as pesquisas mostram bons resultados que contribuem para fortalecer a cadeia produtiva, gerar mais empregos e arrecadação. 

“Não há como pensar em alta tecnologia sem terras raras. E quanto mais a tecnologia avançar, maior será a demanda mundial. Portanto, esse investimento é uma grande oportunidade para Minas Gerais se colocar como um polo mundial em mais esse setor”, disse o diretor-presidente da Invest Minas, João Paulo Braga.

Estima-se que a instalação, com autorizações para operar em 70 áreas distribuídas em 15 mil hectares, entre em funcionamento dentro de um prazo que varia entre 36 e 48 meses.

“Nosso objetivo é garantir que a cidade de Poços de Caldas, o estado de Minas Gerais, o Brasil e a Austrália se tornem um dos pilares em evolução para o uso de energia limpa no planeta”, disse Rafael Moreno, CEO da Viridis Mineração e Minerais.

 “Agradecemos todo o apoio oferecido pelo Governo de Minas e a comunidade até então, enquanto nos empenhamos no rápido desenvolvimento de todas as fases deste projeto de impacto mundial”, concluiu Moreno.

Este representa o segundo aporte em terras raras divulgado na região. Em agosto de 2023, a Meteoric Resources NL, uma companhia australiana, confirmou um investimento de R$ 1,18 bilhão em um empreendimento voltado para a extração de argila iônica no planalto de Poços de Caldas.

A empresa está atualmente nas etapas preliminares de estudos e pesquisas na região, com planos de iniciar as operações da planta produtiva até 2026, prevendo a criação de 700 empregos locais. 

O que são terras raras? 

Terras raras são um grupo de 17 elementos químicos que incluem o escândio, ítrio e os 15 elementos do grupo dos lantanídeos na tabela periódica. 

Apesar do nome “raras”, esses elementos não são necessariamente escassos na crosta terrestre, mas são frequentemente encontrados em concentrações baixas e dispersas, tornando sua extração e purificação mais desafiadoras e com mais custos do que outros minerais mais comuns. 

Esses elementos são fundamentais para uma variedade de tecnologias de alta tecnologia, incluindo dispositivos eletrônicos, ímãs permanentes, catalisadores, lasers, equipamentos médicos e muito mais. Devido às suas propriedades únicas, as terras raras desempenham um papel crucial em muitas indústrias modernas.

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Lorena Cordeiro

Lorena Cordeiro

Jornalista e mestre em Comunicação pela Universidade Federal de Ouro Preto – UFOP. Repórter no Portal Bem Minas desde 2020 nas editorias Meio Ambiente, Mineração e Energias Renováveis.

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